O MONÓLOGO DA FILHA

Isaac Nicolau Salum Ah! se mamãe soubesse como eu quase não posso deter o meu coração, quando a criançada em festa, no segundo domingo de maio, atira flores nas suas mamãezinhas!... Se ela visse, no meu sorriso interior, o meu afeto, o meu carinho, o meu amor... Se ela soubesse, como, no meu quarto, — quando eu me deito, e quando à noite acordo, e ao me levantar da cama — lembro o seu nome a Deus e lhe agradeço a mãe que ele me deu tão carinhosa e boa... Se ela soubesse disso tudo, ela haveria de ficar alegre e chorar até... de alegria! Ela haveria de ficar contente por descobrir que sua filha é crente, por descobrir que sua filha a ama, por saber que por ela a filha ora... Mas, não! Eu não lhe digo nada agora, nem noutro tempo hei de contar-lhe, não! Mas hei de amá-la sempre, orar por ela sempre, olhá-la sorridente, viver pensando nela, ser sempre obediente, ser sempre carinhosa... E tudo, tudo ela há de descobrir sozinha! E ela há de agradecer a Deus sozinha, o amor, a obediê...